Preciso de palavras que digam a chorar tudo aquilo pelo qual eu já não choro. Que gritem incessantemente por aquilo que anseio. E que minha alma se liberte aos poucos das amarras que a prende em um dilúvio de incertezas, inseguranças, medos. Vejo-me só em caminhos dantes desconhecidos e essa escolha foi minha? Sua? Nossa? Perdoa se preferi seguir daqui para frente sozinha, mas decidi não te levar comigo para meu abismo de dúvidas. Ser solitária nunca foi para mim um problema, sofrer sempre foi meu grande hobby e agora ando a tatear no escuro por algo que me apoie, procura vã, desejos vãos. Ser o autor da própria vida é uma arte e requer coragem. Escolhas sempre têm 50% de chance de serem certas e 50% de serem erradas. E mesmo assim prefiro ser protagonista do que mera coadjuvante. Amar sempre foi uma das minhas grandes virtudes e o maior dos meus defeitos. Amei-te profundamente, tanto e quanto pude, mas quando deixei de amar-te minhas asas cresceram e feito borboleta enclausurada, rompi o casulo rumo a minha liberdade. Pousarei novamente, não sei quando, em uma nova morada, da qual também partirei, um dia, no silêncio da madrugada.
Lígia Coré